quinta-feira, 10 de março de 2011

BOA NOITE!

BOA NOITE
Mário Barreto França

Foi numa noite triste, uma noite chuvosa
que a notícia chegou, soturna e dolorosa,
à casa do Pastor: -"No centro da cidade,
houve um grande desastre: uma fatalidade!
Um ônibus chocou-se a um bonde e desse choque
saiu muito ferido o Reverendo Roque...
E de lá do hospital lhes mandava um apelo:
Para irem visitá-lo, irem depressa vê-lo,
pois talvez não tornasse a ver a luz do dia.. ."

Que notícia infeliz! Que noite amarga e fria!...
Quatro filhos e a esposa ergueram-se da mesa,
Movidos pela dor da trágica surpresa,
e saíram correndo em busca do hospital.
Entraram no seu quarto, o pastor fez sinal
para chegarem perto, e a cada qual falava
com o terno olhar de quem a todos venerava.

Dirigiu-se primeiro à esposa muito querida:
"Companheira fiel de toda minha vida,
juntos temos andado e pela mesma causa
trabalhamos com fé, sem um dia de pausa...
Hoje, como no dia em que te desposei,
és a mesma mulher e amiga a quem amei
e amo com o mesmo ardor dos meus vinte e dois anos,
como haverei de amar nos celestes arcanos...
Boa noite, esposa amada! Outra vez nos veremos
quando juntos, no céu, ao Senhor louvaremos."

"E a ti, Maria, que és minha primeira filha
e foste o meu prazer, seguindo a mesma trilha,
boa noite, filha! Agora em paz com Cristo vai,
e não te esqueças mais do meu amor de pai!"...

"Boa noite, meu Guilherme! Ó filho dedicado,
tua vida de fé em nosso lar sagrado
foi o mais belo exemplo, a melhor recompensa
que Deus me concedeu à luz de minha crença;
Continua a crescer nas virtudes cristãs
E sê o protetor de tua mãe e irmãs!"

"Célia, filha extremosa e cândida, boa noite!
Foste uma luz na treva, um bálsamo no açoite
da ingratidão do mundo... Ah! me recordo agora
daquele instante bom, daquela ótima hora
em que rendeste a Deus tua alma arrependida,
deixando-a ao Seu dispor pelo resto da vida...
Mais uma vez: boa noite, ó filha dedicada!
Que o Senhor te conserve em sua obra sagrada!"...

Carlos - terceiro filho - olhou o pai, sentido,
porquanto à irmã mais moça o havia preferido..
E o motivo lhe vinha inexoravelmente
ao triste coração, à alma convalescente:
Fora, há tempo passado, um bom servo da Seara
E ao lado de seu pai ativo trabalhara...
Mas, companheiros maus e a péssima influência
de colegas sem brio, arparam-lhe a consciência,
fazendo-o recuar, na batalha do amor
e apostatar da fé em Deus, nosso Senhor.
Chegou mais perto e ouviu o pai, triste, dizer:
"Adeus, Carlos! Adeus! Fugiste ao teu dever!...
Eu quisera poder falar-te as mesmas cousas
Que disse à tua mãe e irmãos...
Porém, nem ousas encarar-me...
Esquecestes os bons conselhos meus...
Porém eu te amo ainda!.. Adeus, Carlos! Adeus!"...

Carlos, caindo aos pés do leito, soluçando,
perguntou: "Pai, por que aos outros, osculando,
você disse: 'Boa noite'! e a mim só disse: 'Adeus'?
"É que aos outros, meu filho, espero-os lá nos céus,
para entoarmos a Deus, por nossa salvação,
o cântico eternal da nossa gratidão!"
"Meu pai! (Carlos confessa em lágrimas de joelhos)
Eu prometo a Jesus seguir os seus conselhos!
Eu já me arrependi! Eu lhe falo a verdade!
Vou dedicar a Deus a minha mocidade, servi-lo para sempre!"...
"Assim sendo, meu filho,
Posso agora dizer, sem nenhum empecilho:
"Boa noite, filho meu!"...E, tendo dito isto,
suavemente expirou... e descansou em Cristo.

Ó tu que andas gastando a tua mocidade nas orgias do mundo ou na incredulidade;
Tu que buscas na Ciência ou na Filosofia explicação para alma ou pra matéria fria;
Tu que não crês em Deus ou na vida futura;
Tu que vives sofrendo ao peso da amargura;
Ou tu que já seguiste o caminho da cruz e hoje negas, sem fé, o nome de Jesus;
Pára! Volta! Que a morte horrenda e traiçoeira pode cortar-te ao meio a alígera carreira
para o desconhecido!...

Então, o Eterno Deus apenas te dirá: - "Ó filho ingrato, adeus!
"Porém se, arrependido e em lágrimas, voltares ao aprisco de Deus, ao regaço dos lares,
ele então te dirá, cheio de paz e amor:
- "Boa noite! Entra, afinal, no gozo do Senhor!"

Recebido por e-mail.

SER SIMPLES...

SER SIMPLES...
“ Quando ouvimos falar de simplicidade logo nos vêm à mente pessoas despidas de adereços, lares onde se percebe a escassez de recursos financeiros e assim por diante. Todavia poderemos entender a simplicidade sob outro aspecto. Nem sempre as pessoas que não se enfeitam são simples e a recíproca é verdadeira.

Há pessoas que se vestem com aparente luxo mas são pessoas extremamente simples. A singeleza está na intimidade de cada criatura. Ser simples é não opinar sobre o que desconhece. É admitir-se capaz de cometer equívocos. É ser feliz com pouca coisa, ou com coisas simples. Ser simples é falar com sinceridade. É deixar-se emocionar diante de pequenos fatos. É permitir que as lágrimas rolem pelo rosto quando o coração solicita. Quem é verdadeiramente simples, percebe as grandezas da vida impressas nas coisas singelas da natureza.

Jesus foi um nobre exemplo de simplicidade. Possuidor de grandioso conhecimento em todas as áreas, soube ensinar sem arrogância. Portador das verdades divinas, teve o cuidado de não ofuscar as criaturas que com ele travavam contato. Conhecedor do universo, utilizou-se de coisas singelas para ensinar a Boa Nova. Falou do grão de mostarda, do óbolo da viúva, do semeador... Todos os Seus ensinamentos foram ministrados de maneira singela e exemplificados da mesma forma. Falou de maneira simples tanto aos doutores da lei quanto aos iletrados. Quando teve que falar com firmeza o fez com simplicidade. No seu nascimento, foi acolhido pela manjedoura singela e na sua morte a simplicidade coloriu sua face.

Lembrando esse Espírito grandioso que a Terra conheceu, vale a pena pensar um pouco a respeito da simplicidade e envidar esforços para sermos pessoas simples. E a simplicidade consiste em ter um coração predisposto ao perdão. Em ter sempre no olhar uma chama de esperança e nos lábios um sorriso gentil. Ter palavras e gestos que traduzam nossos sentimentos, sem afetação. E passos firmes na direção da felicidade tão desejada. Enfim, ser simples como o criador, que nos oferece a natureza bela e exuberante a cantar a simplicidade desde a aurora até o crepúsculo. Pense nisso! Os homens que se fizeram notar nos diversos campos do conhecimento humano, não o fizeram com afetação e pompa.Esses homens e mulheres que se revelaram protótipos da beleza nas Artes, nas Ciências e na Filosofia se engrandeceram através da simplicidade, usando as vestes da humildade. ”

Pensemos nisso!

Autor desconhecido.

quinta-feira, 3 de março de 2011

A CORUJA E O FALCÃO

Certa vez um homem observou uma coruja que estava junto à janela. Ela caiu e o distraiu da oração, mas ele não deu muito importância a ela. Nos outros dias, ele observou que a coruja permanecia naquele lugar e parece que se estabelecera ali. Dia após dia ele pôs-se a observar aquela coruja. Notou que ela quase não se movia. Começou a incomodar-se com aquela ave, ela ocupava mais tempo de sua atenção que a oração. Como veio parar ali, se não comia e uma vez até chegou a mexer com ela para ver se realmente era uma coruja de verdade. De tanto observar, notou que a ave era cega e isso encheu mais ainda sua cabeça de perguntas.
Até que um dia, notou que um falcão entrava na igreja com algo entre os bicos. Eram algumas minhocas ou algum inseto e que servia de alimento para a coruja. Ele maravilhou-se com o que viu e chegou a coçar os olhos para ver se enxergava direito: O falcão entrava na igreja para alimentar a coruja, da mesma forma como faria com um de seus filhotes.
Imediatamente o piedoso homem começou a louvar o Senhor e a se perguntar a razão de tamanho milagre. Pensou: “Deus cuida até dos pássaros com o cuidado de um pai”. Sentiu enorme consolação ao pensar em um Deus amoroso, que coloca um falcão para cuidar de uma mísera coruja. “O que não faria Deus por mim!”, dizia ele... Sentiu o coração vibrar ao perceber que Deus também cuidava dele com o mesmo carinho com que cuidava daquela ave. Moveu-se de grande emoção interior, sentindo que Deus lhe revelava algo único. Refletiu e decidiu vender tudo o que tinha e colocar-se ao único cuidado do Senhor. Ponderou que era apegado demais aos seus bens e que Deus o chamava para viver uma vida de pobre, como a coruja, dependendo unicamente da providência divina.
Saiu de sua casa, se desfez de seus bens e colocou-se como a coruja na porta da mesma igreja que costumava freqüentar aguardando a providência diária. No entanto começou a ter dificuldades. As pessoas o tinham conhecido como rico comerciante e não entendiam porque ele estava ali. Alguns achavam que tinha endoidecido; não lhe davam ajuda e ele começou a passar fome.
Desolado e entristecido, pensava que Deus tinha o abandonado. Renunciara a tudo para viver da providência Divina e Deus não lhe aceitou assim. “Por quê?”, dizia ele revelando sua desolação...
Procurou um pastor e expôs sua aflição... E o pastor lhe perguntou:
– “Você tem certeza que foi Deus quem lhe pediu para viver como a coruja?”
– “Claro, a experiência com a coruja me mostrou que Deus sempre cuida de quem precisa, eu não tinha como duvidar! Respondeu convicto”.
O pastor o olhou serenamente e com muita compaixão lhe perguntou:
– “Você tem certeza que Deus o chamava a ser coruja? Não achas que ele lhe estaria chamando a ser falcão?”
É evidente que se trata de uma história fictícia, mas se pensarmos bem, quantos hoje em dia agem assim? Muitos se abdicam de tudo para viver uma vida pobre que aguça a compaixão das pessoas. Não estou aqui a criticar aqueles que realmente são chamados por Deus para uma obra especifica... Sei que muitos pastores, missionários se abdicam de suas vidas em prol da obra, pois estes são verdadeiros falcões provendo o sustendo (a palavra de Deus) aqueles que necessitam... Deus os sustenta, pois são provedores... Mas aqueles que deixam de ser falcões e fingem ser corujas se acomodando creio que Deus diz: “Vai ter com a formiga, preguiçoso!”
Ele nos tem chamado para sermos falcões, libertando pessoas, levando amor, consolo e sustento. É claro que Deus nos trata como à coruja, mas nos chamou para sermos como o falcão. Temos o alimento para dar aos necessitados... Se você decidir assumir seu papel como falcão, Deus lhe conduzirá exatamente onde há uma coruja precisando de alimento.

Pense nisso...

Recebido por e-mail, adaptado por André Santos.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

NOSSOS VELHOS




NOSSOS VELHOS

Pais heróis e mães heroínas do lar. Passamos boa parte da nossa vida acreditando nisso.
Até que um dia o pai herói começa a passar o tempo todo sentado, resmunga baixinho e puxa uns assuntos sem pé nem cabeça.
A mãe heroína do lar começa a ter dificuldade de concluir as frases e dá de implicar com a empregada.
Aí surge a seguinte pergunta: O que meu pai e minha mãe fizeram para caducar de uma hora para outra?
Envelheceram... Nossos pais envelhecem. Ninguém havia nos preparado pra isso.
Um belo dia eles perdem a paciência e adquirem umas manias bobas.
Estão cansados de cuidar dos outros e de servir de exemplo: agora chegou a vez de eles serem cuidados e mimados por nós, nem que pra isso recorram a uma chantagenzinha emocional.
Têm muita quilometragem rodada e sabem tudo, e o que não sabem eles inventam.
Não fazem mais planos em longo prazo, agora se dedicam a pequenas aventuras, como comer escondido tudo o que o médico proibiu.
Estão com manchas na pele. Ficam tristes de repente. Mas não estão caducos: caducos ficam os filhos, que relutam em aceitar o ciclo da vida.
É complicado aceitar que nossos heróis e heroínas já não estão no controle da situação.
Estão frágeis e um pouco esquecidos, têm este direito, mas seguimos exigindo deles a energia de uma usina. Não admitimos suas fraquezas, seu desânimo.
Ficamos irritados e alguns chegam a gritar se eles se atrapalham com o celular ou outro equipamento e ainda não temos paciência para ouvir pela milésima vez a mesma história que contam como se acabassem de tê-la vivido.
Em vez de aceitarmos com serenidade o fato de que as pessoas adotam um ritmo mais lento com o passar dos anos, simplesmente ficamos irritados por eles terem traído nossa confiança, a confiança de que seriam indestrutíveis como os super-heróis.
Provocamos discussões inúteis e os enervamos com nossa insistência para que tudo siga como sempre foi.
Essa nossa intolerância só pode ser medo. Medo de perdê-los, e medo de perdermos a nós mesmos, medo de também deixarmos de ser lúcidos e joviais.
Com todas as nossas irritações, só provocamos mais tristeza àqueles que um dia só procuraram nos dar alegrias.
Por que não conseguimos ser um pouco do que eles foram para nós? Quantas noites estes heróis e heroínas passaram ao lado de nossa cama, medicando, cuidando e medindo febres!
E nós ficamos irritados quando eles se esquecem de tomar seus remédios, e ao brigar com eles, os deixamos chorando, tal qual crianças que fomos um dia.
É uma enrascada essa tal de passagem do tempo. Ensinam-nos a tirar proveito de cada etapa da vida, mas é difícil aceitar as etapas dos outros...
Ainda mais quando os outros são nossos alicerces, aqueles para quem sempre podíamos voltar e sabíamos que estariam com seus braços abertos, e que agora estão dando sinais de que um dia irão partir sem nós.
Façamos por eles hoje o melhor, o máximo que pudermos, para que amanhã quando eles já não estiverem mais aqui conosco, possamos lembrar-nos deles com carinho, de seus sorrisos de alegria e não das lágrimas de tristeza que eles tenham derramado por nossa causa.

Afinal, nossos heróis de ontem... Serão nossos heróis eternamente...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

PORQUE GRITAMOS?



Um dia um pensador fez a seguinte pergunta a seus discípulos:

- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?

- Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles.

- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado, questionou o pensador.

- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo.
E o mestre volta a perguntar:
- Então não é possível falar-lhe em voz baixa?
Várias outras respostas surgiram, mas, nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu:

- Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecida?

O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância, precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente.

Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância.

Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas?

Elas não gritam. Falam suavemente. E por que?

Porque seus corações estão muito pertos. A distância entre elas é pequena. As vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Seus corações se entendem. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.

Por fim, o pensador conclui dizendo:

"Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta." (Mahatma Gandhi)

Recebido por e-mail.